Calçados, máquinas, peças e químicos passam a ter tarifa de 37,5%, diz ministro

Por outro lado, segundo Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, cerca de 2 mil produtos exportados aos EUA, como carne, café e suco de laranja, seguem isentos

Por Mariana Andrade, Valor — Brasília

O setor de calçados foi um dos afetados pela sobretaxa de 12,5%, imposta por Trump nesta quinta (23)

O setor de calçados foi um dos afetados pela sobretaxa de 12,5%, imposta por Trump nesta quinta (23) — Foto: Pixabay

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa, confirmou, nesta quinta-feira (23), que parte dos setores brasileiros será afetado pela incidência cumulativa das tarifas de 25% e de 12,5% impostas pelos Estados Unidos. Entre os segmentos atingidos estão os de calçados, máquinas e equipamentos, peças, componentes, confecções e químicos não farmacêuticos. Já celulose e pescados estarão sujeitos à tarifa de 12,5%. Por outro lado, cerca de 2 mil produtos exportados ao mercado americano, como carne, café, suco de laranja e frutas, seguem isentos das duas taxas.

A jornalistas, Elias Rosa afirmou que o governo brasileiro não pode abrir mão dos instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade, mas reiterou que a prioridade continua sendo a negociação com os EUA e o apoio aos setores afetados.

"Se for necessário acionar o instrumento da reciprocidade, o Brasil não hesitará", frisou.

Questionado sobre o pedido de representantes dos setores para que o governo não acione a Lei da Reciprocidade, diante do receio de novas tarifas, o ministro afirmou que o Brasil não pode abrir mão desse instrumento. Segundo ele, renunciar à possibilidade de adotar o instrumento da reciprocidade significa abrir mão de um “direito que protege” a economia brasileira e os interesses nacionais.

“O governo do presidente Lula não vai renunciar nunca à possibilidade de, efetivamente, de todos os meios e formas, defender os interesses dos setores produtivos. O momento e a forma de fazê-lo, o tempo que vai determinar”, pontuou.

No início da noite de hoje, o governo do presidente Donald Trump anunciou tarifas gerais de 10% e 12,5% a 60 parceiros comerciais, incluindo a União Europeia, devido a alegações de fiscalização frouxa das proibições de trabalho forçado. O Brasil entrou na lista dos países que terão tarifa-base de 12,5%.

"O governo brasileiro rechaça veementemente a decisão do governo norte-americano de impor em relação ao Brasil e a outros países mais uma tarifa indevida, baseada em fatos que não são reais. Ou seja, mais uma tarifação imposta ao Brasil de maneira indevida, ilegítima, descabida e também ilegal”, declarou.

Disse ainda que o Brasil contestará a decisão e adotará todos os mecanismos disponíveis para rechaçar a taxa, ressaltando que o país tem compromisso histórico no combate ao trabalho forçado, à prevenção, ao controle, à fiscalização e ao acolhimento das vítimas.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva rechaçou a decisão e acusou o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) de manipular o tema, sem base legal, "para sustentar sua política comercial protecionista".