Acordo Mercosul-UE provavelmente entrará em vigor provisoriamente a partir de março, diz diplomata da UE
Mesmo após parlamentares do bloco enviarem o tratado à Justiça, o que pode atrasá-lo em dois anos, um diplomata da UE disse que o acordo entra em vigor "assim que o primeiro país do Mercosul o ratificar"
Por Andreas Rinke, Em Reuters — Berlim
O acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul provavelmente será aplicado em caráter provisório em março, disse um diplomata da UE à Reuters na quinta-feira (22), apesar de uma contestação iminente no tribunal superior do bloco.
Parlamentares da UE desferiram um golpe no acordo comercial com Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai na quarta-feira (21), remetendo-o ao Tribunal de Justiça Europeu, o que pode atrasá-lo em dois anos.
"O acordo UE-Mercosul será aplicado provisoriamente assim que o primeiro país do Mercosul o ratificar", disse um diplomata da UE à Reuters.
A UE assinou seu maior pacto comercial de todos os tempos com os membros do Mercosul no sábado (17), após 25 anos de negociações, e o atraso causou consternação entre muitas empresas na Alemanha e para um de seus principais apoiadores, o chanceler Friedrich Merz.
Ele disse aos delegados do Fórum Econômico Mundial em Davos que lamentava a decisão do Parlamento Europeu, o que significava que outro obstáculo havia sido erguido.
"Mas tenham certeza: Não seremos impedidos. O acordo do Mercosul é justo e equilibrado. Não há alternativa a ele se quisermos ter um crescimento maior na Europa", afirmou ele na quinta-feira.
Os apoiadores argumentam que o acordo é importante para compensar os negócios perdidos com as tarifas dos EUA e para reduzir a dependência da China.
Os críticos, liderados pela França, afirmam que isso aumentará as importações de carne bovina, açúcar e aves a preços baixos, prejudicando os produtores nacionais.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93/internal_photos/bs/2026/H/x/EMw8VMROSbjNIz1cjX8Q/mercosul-ue.jpg)
Presidentes de países do Mercosul e da União Europeia no evento de assinatura do acordo — Foto: AP Photo/Jorge Saenz