Tarifa global de 15% imposta por Trump aumenta instabilidade para exportações brasileiras, diz Fiemg

Para a federação de MG, a sinalização de Trump “amplia o cenário de instabilidade e pode impactar produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, afetando planejamento, contratos e investimentos”

Por Rafael Vazquez, Valor — São Paulo

Movimento de Trump veio após a Suprema Corte dos EUA ter derrubado as taxas impostas anteriormente

Movimento de Trump veio após a Suprema Corte dos EUA ter derrubado as taxas impostas anteriormente — Foto: Jessica Koscielniak/Reuters

 

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) criticou, nesta segunda-feira (23), o anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que pretende impor uma nova tarifa global de 15% sobre todos os países com base na Seção 122 da legislação do país. O movimento veio após uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos ter derrubado, na última sexta-feira (20), as taxas anteriormente impostas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA).

Para a federação que representa a indústria mineira, a sinalização de Trump “amplia o cenário de instabilidade e pode impactar produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, afetando planejamento, contratos e investimentos”.

De acordo com a Fiemg, por se tratar de uma medida aplicada de forma uniforme a todos os países, a competitividade relativa do Brasil em comparação com outros fornecedores tende a ser preservada, diferentemente do ano passado, quando o país inicialmente sofreu uma taxação maior diante da tentativa de Trump reverter a condenação judicial ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Contudo, a falta de previsibilidade impactará a indústria inteira.

 “O setor produtivo precisa de previsibilidade. Mudanças sucessivas nas regras comerciais geram insegurança e comprometem o ambiente de negócios. Ainda assim, é importante destacar que a aplicação global da tarifa mantém condições isonômicas de de concorrência, o que reduz distorções competitivas”, afirma em nota Flávio Roscoe, presidente da Fiemg.

A entidade diz ainda que seguirá monitorando os desdobramentos e defende o diálogo entre os países como “caminho para evitar a escalada de medidas que prejudiquem o comércio internacional e para assegurar condições equilibradas às empresas mineiras”.